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Wednesday, April 19, 2017

Pequeno Guia do Canadian Tax Filing com o CRA (Y Otras Cositas Más)


Finalmente criei coragem (e arrumei tempo) para escrever sobre a minha experiência com o Canada Revenue Agency (CRA) nesses últimos seis anos. Ao contrário do meu longo post em 2012 sobre  IRPF/CSD/DSD/CDE que, para minha surpresa, continua gerando comentários e visitas, este post sobre tax return no Canadá deve ser mais curto como o leitor verá abaixo.

Um disclaimer (CYA) faz-se aqui necessário. O que relato aqui é a minha experiência e eu abriria um escritório e cobraria se quisesse dar conselhos profissionalmente. O meu objetivo é apenas o de compartilhar os meus erros e acertos para que voce leitor desse blog possa tomar decisões mais informado. Em suma, use the info at your own risk.

As regras básicas para o imigrante são as seguintes:

- No ano que se estabelece residência no Canadá - filing taxes não é necessário (mudei-me em Abr/2011)
- A partir do ano seguinte:

  • O tax return é feito considerando-se os ganhos/perdas partir da data de estabelecimento da residência no Canadá - No meu caso a partir de Abr/2011. O CRA não tem interesse em qualquer ganho/perda antes disso. Quem tem esse interesse é a Receita Federal.
  • O tax return é recomendado para todos que tem mais que 19 anos, independentemente de se ter trabalhado ou não
  • É uma boa prática contratar um contador ou algum serviço de auxílio para ao menos o primeiro tax return.


Para o meu primeiro tax return em 2012, eu contratei os serviços de uma CPA (Chartered Professional Accountants Canada) que me auxiliou imensamente com quais as deduções possíveis (despesas de mudança, etc) e os documentos necessários (os T-files). Segue uma cópia com o meu primeiro email trocado com ela e quais foram as infos solicitadas:

-        Employer-issued T4 slip (Statement of Remuneration Paid) for yourself and your wife (if she had employment or self-employment income in Canada)
-        Bank or investment issued T5 or T3 slips (investment income, if you’ve earned more than $50 in interest/dividends from a bank, investment company, or financial institution)
-        Medical receipts, if any (dental, prescriptions, chiropractic, medical equipment or supplies) for your entire family.
-        Children’s receipts for arts or fitness: if your kids are enrolled in sports or fitness (dance, basketball), or any arts programs (art, drama, Scouts, Guides), the provider needs to give you an Arts Tax Credit receipt or Fitness Tax Credit receipt.
-        Charitable Donations receipts
-        If you are a commissioned employee, you may have employment-related expenses. If this is the case, let me know as there is another list of information you’ll need to gather.
-        I am assuming your family does not have any disabled family members – if this is not the case, let me know as there is a disability tax credit.
-        Personal information needed: you and your wife’s birthdates, Canadian Social Insurance Numbers, names and birthdates for your children.
-        Value of your Brazil real estate – if it is valued at greater than CDN$100,000 at the time you arrived in Canada.

2012 foi então o ano quando tive que me adaptar ao "linguajar técnico" e sair correndo para achar e fazer scan de tudo quanto era documento pedido. Criei também as credenciais de acesso ao site do CRA para mim e minha esposa. Depois de encher o saco da CPA com milhões de perguntas durante o processo de coleta de documentos, ela successfully filed my taxes and my wife's. Alguns meses depois recebi um cheque no correio com a minha primeira restituição do Government of Canada, yay! O preço que paguei para a CPA pelos serviços de tax return meu e da minha esposa foi aproximadamente $200

Em 2013 eu achava que sabia tudo e que eu podia economizar umas doletas. Resolvi usar um free service chamado SimpleTax. Existem outras opções também no mercado. Simples enough, eh? Não tão rápido amigão ou amigona....Além de ter ficado mega estressado com prazos e tentando replicar o que a CPA tinha feito no ano anterior, fui 'recompensado' com imposto a pagar ao CRA. Pode ter sido um problema do programa (era free) ou IDO (incompetência do operador). Whatever it was, it was a total failure.


O resumo da ópera é o seguinte: O trem é complicado. Complicado pelas minúcias, complicado pela diferença de taxação (existe essa palavra?) entre as províncias, complicado pelas datas, complicado pelas deduções, complicado pelos benefícios, complicado pela definição de residente ou não residente e por aí se vai.

Não que tudo não esteja minuciosamente documentado e acessível, tudo está. O problema é o tempo para ler. absorver tudo e aplicar as regras. Simplesmente não dá, eu não tenho tempo para isso. Eu quero mais é andar pelas trilhas de Vancouver ou fazer yoga na praia, tudo menos pensar em taxes.

Então a partir de 2014, eu contratei a CPA novamente e os cheques do Govenment of Canada começaram a fluir novamente. Coincidência ou não, I don't care. O fato é que 200 doletas por ano é um valor muito bem pago pelo serviço prestado.

Para facilitar o trabalho da CPA eu criei uma pasta no Dropbox onde eu armazeno os documentos coletados durante o ano. Uma vez os documentos juntados no Dropbox, eu simplesmente compartilho essa pasta com a minha CPA em Março/Abril e ela tem tudo que ela necessita para o tax filing.

Sobre o Dropbox, a minha sugestão para a divisão das subpastas é a seguinte (a não ser que voce queira deixar o/a seu/sua CPA louco[a] com tudo misturado numa pasta só, tenha dó):

  • Dados de bens e propriedades no exterior - Extratos de contas, valores retidos de FGTS, investimentos e perguntas para estabelecer o Fair Market Value de imóveis serão feitas
  • Utility bills (hydro, gas, water) e Telecom bills (internet, cell/landline) - Isso é importante para quem trabalha de casa (home office) pois uma parte das contas e impostos referentes à area de onde voce realiza o trabalho em casa entra como dedução
  • Property taxes slips, mortgage statements, home insurance receipts
  • Work related: Pay stubs, employee stock purchase plan statements, RRSP statements
  • Dental and medical receipts - Criei também uma planilha de controle com: número do recibo, data, paciente, payee, expense type, invoice amount, valor reembolsado pelo plano de saúde, valor final para o tax submission, invoice number (caso exista) e observações
  • School fees, donation receipts, professional services receipts (inclusive o recibo dos serviços de tax prep da CPA)
  • RESP statements
  • Official CRA tax slips - RC62, T3, T4, T5, T2200, etc


Conforme vou recebendo os documentos durante o ano, o app do Dropbox permite que voce faça o scan do documento e armazene-o na sua pasta correspondente gradualmente. Repito, todos os documentos. Guardo as cópias recebidas em papel numa pasta separada just in case.

Essa disciplina pode parecer excessiva mas é importantíssima para mim pois a) não tenho o estresse de juntar todos os documentos em Março/Abril de uma só vez para mandar para a minha CPA e b) a planilha de controle de despesas médicas me salvou em 2014 quando fui auditado pelo CRA através de um Notice of Assessment. A única coisa que tive que fazer foi imprimir os documentos já organizados e catalogados na sua respectiva pasta e enviá-los ao CRA.


É bom sempre também ficar atento nas últimas notícias. A minha CPA pode não saber tudo e as regras mudam, principalmente com deduções e benefícios. Fiquei sabendo que as despesas com a CPA podem ser deduzidas somente no ano passado depois de ver uma dica em algum site de auxílio ao imigrante. O Arts and Fitness Credits era uma outra subpasta/planilha que eu tinha mas agora esses créditos foram abolidos pelo Justin Trudeau que colocou em seu lugar o Canada child benefit.

Em suma:
  • Terceirize o trabalho de preparação de tax return - a sua saúde mental agradece
  • Organize-se durante o ano para coletar a informação necessária para o tax return de maneira gradativa e disciplinada
  • Fique atento às novidades e mudanças nas regras através de notícias ou do site do CRA

der doppelgänger

Tuesday, December 1, 2015

Modelo de Procuração

Atendendo a pedidos, segue uma cópia editada da minha procuração. Ela me serviu muito bem nos últimos 5 anos possibilitando a venda do meu imóvel, todas as operações de câmbio relativas à venda e retificação de códigos de DARF perante a Receita sem que eu tivesse que retornar ao Brasil. A procuração pode ser emitida nos consulados e não necessariamente nos cartórios. Caso mais que um procurador seja designado, eles podem agir independentemente ou em conjunto. Claro que outros cenários podem ser adicionados ao modelo dependendo de cada caso individual. Apenas um disclaimer, fique a vontade para  copiar o texto como modelo, mas não assumirei qualquer responsabilidade sobre problemas quanto ao seu uso. Enjoy.

der doppelgänger





Sunday, April 29, 2012

Pequeno Guia da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física, Comunicação de Saída Definitiva do País e Declaração de Saída Definitiva do País e Outras Cositas Mas

Saí do Brasil em 2011 e tinha muitas dúvidas sobre como iria fazer minha Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) em 2012 estando no Canadá. Ví inúmeros posts sobre o assunto mas todos eles  superficiais ou incompletos. Compartilho aqui a minha experiência e o que passei para caracterizar a minha saída definitiva do Brasil. Use as informações abaixo como referência mas lembre-se que as regras podem mudar a qualquer momento e a situação de cada um pode fazer com que determinadas regras sejam aplicáveis ou não.

1) Quem sai do país definitivamente, deve ter em mente cinco coisas:
  • Comunicação de Saída Definitiva do País (CSDP) para a Receita Federal
    • Caracteriza a data efetiva de saída do país.
    • Rendimentos recebidos antes dessa data devem ser declarados na Declaração de Saída Definitiva do País (DSDP) para cálculo de imposto devido a pagar ou restituição
    • Rendimentos recebidos após essa data devem ter os impostos pagos através de DARF Simples e código de receita específico de não-residente
  • Declaração de Saída Definitiva do País (DSDP) para a Receita Federal
    • É a última Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física que o imigrante deve fazer no ano subsequente à saída do país
    • Depois disso, não se deve fazer mais declarações anuais
  • Carta de Saída Definitiva do País para instituições que recolhem imposto na fonte
    • Se voce espera um rendimento onde o imposto será recolhido na fonte depois da data da saída definitiva do país, envie essa carta para a instituição pagadora com a data onde foi caracterizada a saída do país. Explico mais abaixo a importância disso.
    • Um exemplo onde a carta se aplica. Vamos supor que voce deixou um plano de previdência no Brasil. Essa instituição deve receber essa carta para que no momento do saque, a alíquota e código de receita de não-residente possa ser aplicado ao pagamento do imposto devido.
    • [EDITADO 3/Agosto/2015 Vide item 7, conta CDE para outros tipos de rendimentos e aplicações]
  • Procuração pública para que alguém possa te representar perante a Receita Federal (e outras entidades)
    • A procuração deve ser pública e de plenos poderes
    • A procuração deve ser em seu nome e da esposa, para quem é casado em comunhão de bens
    • O cartório possui os textos apropriados para inclusão na procuração
    • A mesma procuração pode ser não só para a Receita Federal mas também para bancos (para movimentação de contas), registros de imóveis (para venda de imóveis), etc.
    • Economiza-se tempo de ter que ir pessoalmente a um consulado no exterior para fazer a tal procuração
    • [EDITADO 8/Dezembro/2015 Segue link para post com modelo da procuração.]
  • e-CPF para acesso ao e-CAC no site da Receita Federal:
    • Com o e-CPF voce tem acesso às declarações antigas, pode consultar pendências fiscais, etc.
    • Como o acesso é seguro, voce tem acesso a mais serviços e informações do que normalmente teria
    • O e-CPF deve ser adquirido em entidades certificadoras no Brasil. [EDITADO 18/Feb/2014] Creio que a renovação possa ser feita remotamente. A renovação do eCPF pode ser feita remotamente apenas uma vez. Depois disso voce tem que comprar um outro e a validação é presencial.
    • Novamente, o e-CPF economiza tempo e dinheiro (e dores de cabeça)

2) Minha situação em 2011:
  • Fiz o landing no Canadá em Jan/2011.
  • Recebi salário no Brasil entre Jan/2011 até Mar/2011
  • Viajei definitivamente para o Canadá em Abr/2011
  • Em Abr/2011, meus bens no Brasil eram:
    • Um apartamento alugado (quitado)
    • Algum dinheiro em uma conta no HSBC
    • Plano de previdência privada de um antigo empregador

3) Providências tomadas:
  • Enviei a Carta de Saída Definitiva aos bancos e entidade de previdência privada [Editado 3/Agosto/2015 Vide item 7, conta CDE para outros tipos de rendimentos e aplicações]
  • Consegui o e-CPF para mim e para minha esposa
  • Eu e minha esposa fizemos a procuração de plenos poderes para pessoas de confiança no Brasil
  • Comunicação de Saída Definitiva do País (CSDP)
    • Deve ser entregue até o último dia útil do mês de Abril do ano-calendário subsequente ao da saída definitiva ou da caracterização da condição de não-residente
    • Pela regra acima, saí em 2011, portanto o último dia da entrega da CSDP seria 30/Abril/2012
    • Caracterizei a data de saída em Abr/2011, o dia que viajei para o Canadá
    • A minha esposa (ou quem na família tem CPF) também fez parte da CSDP
    • Deve-se apontar um procurador no Brasil perante a Receita Federal
    • A partir da data da caracterização da saída do país, qualquer rendimento deve ter os seus impostos pagos através de DARF Simples e código de receita específico de não-residente. [EDITADO 3/Agosto/2015 Vide item 7, conta CDE para outros tipos de rendimentos e aplicações]
  • Declaração de Saída Definitiva do País (DSDP)
    • Segue o mesmo modelo da DIRPF, com algumas diferenças tais como endereço no exterior, nome do procurador, data da saída declarada na CSDP, datas e CPF de saída dos dependentes. O restante da declaração e as alíquotas são idênticas a da DIRPF
    • Deve-se entregar a DSDP até o último dia útil do mês de Abril do ano-calendário subsequente ao da saída definitiva ou da caracterização da condição de não-residente, ou seja, deve-se observar o mesmo calendário da DIRPF
    • Será a última declaração de Imposto de Renda que voce irá entregar
    • Deve cobrir os rendimentos recebidos no país até a data da CSDP
    • Demonstrativos de renda:
      • Tive que conseguir o demonstrativo de rendimentos do meu empregador referentes aos salários de 2011
      • Já tinha em mãos os valores referentes à recisão empregatícia
      • Baixei o demonstrativo de rendimentos do HSBC diretamente no site.
      • Fechei uma conta no Itaú em 2011 antes de vir. Esse demonstrativo eu não consegui do site pois não tinha mais acesso e não pedi no banco.
    • Transmite-se a DSDP igual a DIRPF guardando-se o recibo da mesma forma

4) Imposto devido sobre rendimentos, após a data da saída definitiva (aluguel, por exemplo)[EDITADO em 18/Feb/2014] Calculei o valor do imposto a pagar via programa Carnê-Leão do site da Receita Federal O valor as ser pago no DARF é 15% flat. Mais infos no link e na seção de comentários.
  • Fiz os pagamentos dos impostos no mês subsequente ao recebimento do aluguel via DARF Simples
  • É importante colocar o Código de Receita correto. Existem códigos específicos para não-residentes, como já disse acima. Seguem alguns exemplos abaixo:
    • 9478 - ALUGUEL E ARRENDAMENTO - RESIDENTES NO EXTERIOR
    • 0422 - ROYALTIES E ASSISTÊNCIA TÉCNICA - RESIDENTES EXTERIOR
    • 9453 - JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO - RESIDENTES NO EXTERIOR
    • 0481 - JUROS E COMISSÕES EM GERAL - RESIDENTES NO EXTERIOR
    • 9412 - FRETES INTERNACIONAIS - RESIDENTES NO EXTERIOR
  • O meu problema foi que estava pagando os DARFs usando o código de receita 0190 - Carnê-Leão, quando deveria estar utilizando o código 9478.
  • Ao utilizar o código 0190 nos DARFs após a data de saída definitiva, para a Receita Federal isso significa que eu 'voltei para o Brasil', sendo portanto passível de entrega de DIRPF em 2012-2013 (Nooooooooooooo!!!!)
  • Tive que fazer a Retificação de DARF (REDARF) para corrigir o código da receita em todos os DARFs onde utilizei o código 0190 para o código 9478. Tive que preencher os formulários e pedir para o meu procurador ir até um posto de atendimento da Receita Federal.
  • Como entreguei a Carta de Saída Definitiva para a instituição de previdência, caso venha a sacar o dinheiro, eles devem fazer o recolhimento de imposto na fonte utilizando um código específico de não-residente, caso contrário 'volto para o Brasil' e tenho que entregar DIRPF no ano subsequente. [EDITADO 3/Agosto/2015 Vide item 7, conta CDE para outros tipos de rendimentos e aplicações]
[EDITADO 04/Maio/2013]
5) E o meu CPF? Ele será cancelado?
  • O CPF não é cancelado após a entrega da CSDP e DSDP
  • Ele fica apenas registrado como não-residente na base de dados da Receita Federal
[EDITADO 03/Agosto/2015]
6) Informações sobre Conta CDE (Conta de Domiciliado no Exterior)
  • Quando a DSD é entregue à RFB, em tese (ênfase na palavra tese), o contribuinte deve informar/formalizar a condição de não residente aos bancos onde  tem conta. E a conta então deve, em tese, ser transformada em conta CDE com várias restrições, a seguir:
  • Seguem algumas das características/restrições da conta CDE passadas pela minha gerente no HSBC:
    • Não poderá apresentar saldo devedor
    • É vedada a concessão de qualquer linha de crédito
    • É vedada a concessão de cartões de crédito
    • Cheques não serão disponibilizados
    • É vedada através da CDE: (i) applicações em Bolsa, Tesouro Direto, fundos de investimento, LCI e LCAs (ii) negociação de ativos financeiroe e valores mobiliários
    • A partir do dia 30/Março/15, poderão ser realizadas somente CDB e depósitos em poupança
    • Clientes que até o dia 30/Março/15 que possuiam investimentos diferentes de CDB e poupança, poderão mantê-los mas estarão bloqueados para novos aportes e re-investimentos. O cliente a seu exclusivo critério poderá optar pelo resgate e investimento em CDB ou poupança, ou aguardar o vencimento regular de tal investimento.
    • Previdência privada PGBL e VGBL estão fora do escopo e são produtos permitidos para contas CDE
    • Todas as transferências de recursos são formalizadas através de contratos de câmbio.
    • É obrigatória a constituição de um procurador, caso o titular da conta encontre-se no exterior
  • Recentemente eu vendi o meu imóvel no Brasil e tive que enviar a minha DSD para a mesa de câmbio para efetuar a transferência dos fundos para o Canadá. Foi nesse momento que fui informado que a minha conta deve ser transformada para CDE antes da efetivação do contrato de câmbio.
  • Antes que alguém pergunte, algumas informações acerca do imposto devido sobre ganho de capital para não-residente no Brasil:
    • Cálculo do imposto: 
      • 15% sobre o ganho de capital (valor de venda menos valor na escritura atual) para países onde existe acordo de tributação vigente
      • 25% sobre o ganho de capital para países onde não existe acordo de tributação vigente
    • Os fatores de redução do valor do ganho de capital, FR1 e FR2, não são aplicáveis para quem é residente no exterior (faça dois DARFs via programa GCAP, um com o endereço no Brasil e outro no exterior para comparar)
    • O imposto devido deve ser retido pelo adquirente do imóvel e pago via DARF imediatamente após a compra (e não ao final do mês seguinte à venda por quem vendeu o imóvel, como comumente é feito) sob o código 0473
  • Eu vinha utilizando minha conta Premier normalmente até então, principalmente a função de Global Transfer, que é muito conveniente para transferir pequenos valores (aluguel, etc.). Isso porque o HSBC não havia sido 'formalmente' notificado da minha situação de não-residente.
  • A partir de agora, qualquer transferência deverá ser feita através de contrato de câmbio.
  • Com a questão do fechamento do HSBC no Brasil, eu creio que essa questão do Global Transfer acaba por ser irrelevante a partir de agora.
  • Não sei se a função de internet banking também é limitada ou não, vou fazer um novo post sobre o assunto em breve assim que a minha conta for convertida para CDE
  • Em função dessa questão da conta CDE e o fechamento do HSBC no Brasil, eu devo montar um outro post com quais providências o novo imigrante deve tomar, antes de sair do Brasil.
[EDITADO 03/Agosto/2015]
7) Mais informações....

Não tenho a pretensão de ser uma autoridade nesse assunto. Quero apenas ajudar o leitor a situar-se sobre as complexidades e detalhes envolvidos dentro do contexto da minha experiência pessoal. Os comentários postados nesse post (mais de 100 em Jul/15) darão outras interpretações sobre o assunto (entregar a DSD ao banco ou não, etc). Vale a pena consultar.

Bem, essa foi a minha saga junto à Receita Federal do Brasil. A partir de agora só tenho que prestar atenção nos códigos de receita nos DARFs pois senão fiscalmente eu volto para o Brasil, que é a última coisa que quero na vida (pessoalmente ou fiscalmente). 

O meu próximo post será sobre o meu tax filing aqui no Canadá e aventuras com a Canada Revenue Agency (CRA).

der doppelgänger

Thursday, April 19, 2012

Cross-Border Shopping in B.C.


The 2012 federal budget contained some good news for cross-border shoppers as they will soon be allowed to bring back more goods tax-free.
So what are the cross-border rule changes from the 2012 Budget?

Here is a breakdown of the new cross border exemptions for Canadians visiting the U.S:

  • U.S. visits less than 24 hours: the rules remain unchanged.
  • 24 to 48 hours: If you travel to the U.S. for more than 24 hours but less than 48 hours, you will be able to bring back $200 worth of tax-exempt goods. The previous limit was $50.
  • More than 48 hours: If you're out of the country for more than 48 hours, your limit is now $800. Previously, travellers who were out of Canada from 48 hours to seven days were allowed to bring back $400 worth of goods. Travellers gone more than a week could bring back $750.
  • What about alcohol and tobacco? Limits for alcohol and tobacco remain unchanged
  • When do the new rules go into effect? The new limits will go into effect June 1, 2012.

Link to the original article here.

Além das dicas acima, segue a minha experiência fazendo compras em Seattle.

  • Para entrar nos EUA voce precisa de visto americano ou passaporte participante do Visa Waiver Program. Além disso voce precisa do form I-94 (para quem tem visto), I-94W (para quem tem passaporte participante do VWP), taxa de 24 dólares (para quem passa de carro), customs form, fingerprinting e pictures para a família toda. Por causa de tudo isso, não dá para fazer isso no guichê tipo pedágio. Voce tem que descer do carro e passar pelo processo acima de dentro do prédio anexo.
  • Quem é já cidadão canadense e tem enhanced driver's license ou Nexus card, o processo é mais rápido e voce faz tudo de dentro do carro direto nos guichês tipo pedágio
  • Para quem tem passaporte participante do VWP, o ESTA não serve para quem cruza o border via land. ESTA serve só para quem viaja de avião [EDITADO 29/Abr/2014] O ESTA sim funciona para land crossings para portadores de passaportes participantes do VWP. Isso evita ter que ficar preenchendo papelada na mão na fronteira.
  • Ao fazer as compras, guarde todos os receipts organizadamente. Voce vai precisar apresentá-los na alfândega canadense durante a volta caso solicitado. Isso economiza tempo e potencialmente evita um poker face de quem está simplesmente guessing o valor das compras para o border official, o que aumenta as chances de ser pulled para um detailed inspection e ser flagged toda vez que cruzar a fronteira
  • Na ida, recomendo parar na alfândega canadense e declarar laptops e eletrônicos antes de entrar nos EUA, para que isso não entre na sua cota na volta
  • Os principais locais onde fiz compras foram o Seattle Premium Outlets e Burlington Coat Factory em Edmonds, WA.
  • Não se esqueça de que para voltar para o Canadá voce precisa do seu PR card e passaporte canadense (ou enhanced driver's license para quem é cidadão)
  • Em suma, lembre-se que voce terá que fazer dois processos de imigração e alfândegas. Um na entrada nos EUA e outro na volta para o Canadá. Tenha toda a documentação em mãos e não carregue frutas frescas, flores, alimentos in natura, etc.

Valeu a pena? Valeu e muito. Compramos qualidade por preços muito menores que retail e com menos taxes comparado ao Canadá.

der doppelgänger

Tuesday, January 17, 2012

Winter Tires + Tire Rack

No meu último post eu falei sobre winter tires. Acabei comprando um set de 4 Michelin X-Ice2 + steel rims através de um anúncio no Craigslist por 50% do preço que pagaria por um set novo. Fiquei meio receoso de comprar pneus usados, mas depois de conversar com o dono e verificar minunciosamente o estado dos pneus eu achei que valia a pena correr o risco. Eu mesmo fiz a troca e com isso economizei mais uns $80. Os pneus ainda tem 80% de vida útil e os rims precisarão de uma demão de spray preto para tirar uns riscos para ficarem como novos (Só na primavera ou verão pois agora está muito frio). Ainda não tinha nenhum sinal de neve ou gelo aqui pelos lados de North Van quando fiz a compra mas agora com o frio e neve recentes, a compra está valendo a pena.

Porém com a compra surgiu um outro problema. O que fazer com os pneus originais? Estavam ocupando lugar no chão e não era o melhor lugar para armazená-los anyway.

Pesquisando as opções disponíveis no mercado (Google), o mais fácil seria esse tire rack vendido no Canadian Tire por $129.99+tax. Mas achei o preço salgado e não gostei dos reviews.

Achei esse outro aqui, DIY-style o que sairia mais barato mas ia requerer comprar algumas ferramentas que estava planejando em comprar só mais lá na frente. A grande questão seria as minhas habilidades inatas em marcenaria (not!). Decidi que ainda não era momento de me aventurar por esse caminho.

A solução final foi esse tire rack aqui que encontrei na Lee Valley Tools através do site RedFlagDeals.com por míseros $39.00+tax. O único problema é que o produto está como sold out no site. Não contente com a situação, resolvi que ia ligar lá e perguntar por um produto similar. Para a minha surpresa, informaram que tinham o produto em estoque apesar do que dizia o anúncio e melho, pelo preço anunciado. Pedi para reservar um e fui lá na 1180 Southeast Marine Drive buscá-lo.

A loja da Lee Valley Tools merece um capítulo a parte. Ela tem engenhocas, ferramentas e traquitanas interessantíssimas principalmente para trabalho em madeira e jardinagem. Tanto a Rona quanto a Home Depot se propõe a vender de tudo em termos produtos similares, mas na Lee Valley voce tem ferramentas especializadas Aliás, não vou fazer um post sobre a Lee Valley Tools. Vá lá pessoalmente e confira pois vale a pena.

Depois de pegar o tire rack, voltei para casa para fazer a instalação na minha garagem. Com um bom stud finder, nível, trena e uma driver drill Makita, fiz a instalação em 1 hora. O resultado é esse aí da foto abaixo:
O rack é bem construído e firme. Claro que existe uma diferença em colocar buchas em uma parede de tijolos e em studs de madeira. A madeira flexiona um pouco com o peso e por isso fiquei com um pouco de receio tipo "será que vai aguentar"? Mas é só colocar os parafusos no bem no meio dos studs que não tem erro.

der doppelgänger

Friday, December 16, 2011

Winter Tires in Vancouver



Estava num dilema muito grande quanto à compra de winter tires para o meu carro. O investimento é significativo e queria pesar todos os prós e contras da decisão. Ainda mais aqui para Vancouver onde existe uma controvérsia em se usar ou não winter pois o inverno aqui não é tão severo quanto das outras regiões do Canadá e todos dizem que o all-seasons é suficiente. A decisão que cheguei é que sim vou comprar winter tires para o meu carro pelos motivos abaixo:

  • Não tenho experiência/habilidade em dirigir na neve
  • Se o gasto de $400-$600 no winter tire me salvar de um acidente apenas, já valeu a pena o investimento
  • Se daqui de Vancouver voce vai para Whistler, Cypress Mountain ou Mt Seymour ao menos uma vez, voce com certeza irá se beneficiar com o uso do winter tire. E isso reforça o motivo anterior
  • O winter tire pode ser usado por vários invernos, desde que corretamente armazenados, ou seja, é um investimento inicial que será 'amortizado' durante vários anos
  • Quando voce usa o winter tire, o all-seasons ou summer tire está guardado e não está sendo usado e isso tem que ser computado no 'gasto total'
der doppelgänger

Monday, December 5, 2011

Picanha

Bem amigos, informo-lhes que apesar de todos os mitos sobre o assunto, é fácil achar picanha no Canadá. É só utilizar o nome correto para o corte. O nome é Top Sirloin Cap.

Paguei $9.99/lb num butcher shop próximo de casa numa peça de 1.5kg (3 lb). Comparado aos R$60,00 por uma peça de 1.2Kg em São Paulo, até que não foi nada caro. O interessante nessa estória foi que o butcher queria por que queria "trim all the fat out". Aí tive que explicar que a picanha é um corte popular no Brasil, etc etc.

Esse não é um corte comum por aqui então voce não vai achá-lo nos supermarkets, apenas nos butcher shops. Acho que é daí que vem o mito de que não tem esse corte aqui.

[UPDATED 2/Dez/15] O butcher shop que eu ia inflacionou o preço depois de um tempo para $12.00/lb. Jeitinho brasileiro...ops canadense em ação.

der doppelgänger

Wednesday, April 27, 2011

Demystifying Series - B.C. Driver's Licence

Passei no knowlegde test e consegui tirar a minha Interim Driver's Licence. YES! Seguem os passos necessários para tirar todas as dúvidas possíveis e imagináveis sobre esse assunto que assombra muita gente.

Documentação necessária:
  • Carteira de habilitação traduzida no formulário do ICBC: Entre em contato com Tomás Almeida. Ele irá pedir pelo scan da CNH para a tradução em até 3 dias. Os valores cobrados são (27/Abril) CAD 35.00 por carteira ou CAD 65.00 para duas carteiras de uma vez.
  • Primary ID: PR Card ou Passaporte+COPR: O detalhe é que voce pode fazer o knowledge test e o road test sem o PR card. Mas só recebe a B.C. Driver's Licence quando apresentar o PR Card.
  • Secondary ID: Cartão do banco, cartão de crédito, crachá da firma, etc. Nem me pediram isso mas levei anyway.
  • CNH original
  • Obs.: Não traga a carteira traduzida do Brasil. Não é necessário carimbo do Consulado.
Estudo necessário para o knowledge test:
 Knowledge test:
  • Vá até o ICBC Licensing Office mais próximo de voce até uma hora antes do seu fechamento.
  • Uma vez lá, entre na fila do check-in. Serão checados os documentos e entregue uma senha.
  • Quando for chamado, apresente os documentos. Será cobrada a taxa (cartões de débito e crédito são aceitos) e preencha um formulário que será entregue com nome, endereço e assinatura.
  • Se voce está na província a mais de 90 dias sua CNH ficará retida. Caso não, voce poderá ficar com a CNH e dirigir até que os 90 dias passem.
  • O atendente perguntará se voce já teve a carteira retida, suspensa ou "outras coisas". Perguntará também o nome de solteira da sua mãe. Guarde essa info com carinho.
  • Será devolvida a tradução da carteira com um número anotado, esse é o seu número da B.C. driver's license. Também guarde essa info com carinho.
  • Uma vez completada essa etapa, será tirada a sua foto para a carteira e voce será encaminhado para o terminal do knowledge test. No terminal voce deve ficar em pé, com o celular desligado.
  • São 50 perguntas e pelo menos 40 devem ser respondidas corretamente. Não existe limite de tempo. Eu fiz a minha prova em 18 minutos.
  • As perguntas são um pouco diferentes das do online knowledge test. Eu classifico as perguntas em três categorias. As que são fáceis e não geram dúvidas (35%). As que voce elimina duas alternativas e fica em dúvida cruel entre as outras duas (65%). E as que a resposta correta estava naquelas duas alternativas que voce eliminou no passo anterior (10%).
  • Conforme voce vai fazendo o teste já se sabe se acertou ou errou a resposta e o resultado parcial, basta apertar status.
  • Voce pode pular três perguntas e voltar nelas no final. Sinceramente, não recomendo.
  • Uma vez respondida a pergunta e pressionada a tecla OK, voce passa para a próxima. Não dá para responder tudo e revisar depois.
  • O resultado do knowledge test já sai na tela assim que a última pergunta for respondida. Assim que terminar, sente-se e aguarde o seu nome ser chamado.
  • Quando for chamado, será entregue um papel roxo com o resultado do teste.
  • Caso tenha passado, será gerado um outro papel amarelo com o Interim Driver's Licence - Class 5 Learner.
  • Essa licença permite que voce dirija, porém acompanhado de alguém fully licensed do seu lado.
  • Se voce for casado, não recomendo que os dois façam ao mesmo tempo, sob pena dos dois ficarem sem a CNH (a CNH é equivalente a uma licença full).
  • Nesse ponto, caso voce esteja na província a menos de 90 dias, voce pode manter a CNH original ou entregar a CNH original e pegar o papel amarelo. No meu caso eu pude optar em manter uma ou a outra.
  • Caso voce fique com a CNH original, voce não poderá dirigir com ela depois que vencer os 90 dias e voce deverá ir ao ICBC pegar o papel amarelo.
  • Caso voce fique com o papel amarelo, a CNH fica retida até que voce tenha a B.C. Driver's License Class 5 Full emitida. Não se esqueça de pegar de volta a CNH porque senão voce não dirige no Brasil.
Road test:
  • Com o número da sua driver's licence e o sobrenome da sua mãe, voce deve agendar o seu road test online.
  • Para quem já dirige nos EUA/Canadá, recomendo ir até um dos locais de teste e seguir alguém fazendo o teste.
  • Para quem não dirige nos EUA/Canadá, recomendo falar com algum amigo que já dirige para passar as dicas ou fazer auto-escola.
  • No dia do road test, é requerido:
    • ID
    • Placa do veículo
    • Prova de que o veículo é segurado e o registro do veículo
    • Pagamento do teste, taxas, etc.
    • Chegar ao menos 15 minutos antes do início do teste.
  • Caso voce necessite reagendar, ligue 48 horas antes senão será cobrada uma taxa de CAD 25.00.
  • Ainda não fiz o road test, mas posso dar as seguintes dicas.
    • Sinais de mão para virar à direita (mão direita estendida ou esquerda levantada em L com a palma da mão para frente), esquerda (mão esquerda estendida) e parar (mão esquerda para baixo com a palma da mão voltada para trás). (Página 77)
    • Stop signs: 3 segundos de full stop antes de avançar. Não pode fazer rolling stop.
    • 4-way stop sign: Quem chegou e parou primeiro é quem sai primeiro. Os outros carros saem na sequência de chegada ao cruzamento. Se dois chegarem ao mesmo tempo, tem preferência quem está à direita.
    • Speed limits: Se a placa indica 50km/h, vá nessa velocidade ou próximo dela, caso possível. Não tente ser conservador pois voce pode atrapalhar o trânsito.
    • Shoulder checks: Para checar os blind spots, antes de mudar de faixa e virar em intersections. Vire mesmo a cabeça e o tronco. Isso é o mais complicado pois não fazemos isso no Brasil.
    • Safe gaps: Ao virar à esquerda em intersections, dê a seta, avance um pouco na intersection enquanto o seu sinal estiver verde e entre à esquerda quando o seu sinal indicar amarelo e o tráfego que vem do outro lado parar. Esse é o safe gap. Cuidado com pedestres.
    • Pedestres: Se alguém colocar o pé na faixa, pare o carro antes da faixa. Independentemente do seu sinal.
    • Veículos de emergência: Voce deve abrir caminho e parar. Seja do lado esquerdo ou do lado direito, dependendo da sua faixa e de onde está vindo o veículo de emergência.
    • Velocidade: Se não houver placa, o limite é de 50 km/h.
    • School zone: O limite é de 30 km/h das 8am até as 5pm (caso não haja outra indicação). Fique de olho no seu retrovisor esquerdo para ver a placa de school zone da faixa do lado oposto para saber quando voce saiu da school zone e acelere até 50 km/h. Não existe indicação de término de school zone.
Irei editar esse post depois do meu road test ou quando eu me lembrar de mais dicas.

der doppelgänger